Em Tarumã, Ian Ely retorna ao Gaúcho de Endurance com o MCR #71 da Overboost
O Campeonato Gaúcho de Endurance chega à sua terceira etapa nos dias 3 e 4 de julho, no Autódromo Internacional de Tarumã, em Viamão (RS), reunindo novamente diferentes categorias e histórias do automobilismo regional. Entre os nomes confirmados para a corrida está Ian Ely, piloto da equipe Overboost, que retorna ao grid com o MCR #71, protótipo da categoria P2, campeão em 2023. Depois de competir no ano passado com o DTR #110, Ely volta a acelerar um carro de alto desempenho, desenvolvido com foco em potência, durabilidade e evolução constante.
Qual é o nome da equipe e quais são os dados técnicos do carro?
Corro pela equipe Overboost com o MCR #71, um protótipo MRX da categoria P2. O carro utiliza motor VW 1.8L 8v turbo, câmbio Hewland sequencial com trocas no volante e eletrônica full Motec. Além disso, conta com potência variável controlada pelo volante e controle de tração. Gosto muito de ressaltar o nosso motor. Somos os únicos que seguem acreditando no VW 8v. É um motor sabidamente menos eficiente que os multiválvulas, mas, junto da Overboost, encontramos uma receita muito boa de potência e durabilidade.
Como você iniciou no automobilismo?
Eu comecei tarde no automobilismo. Meu pai foi piloto profissional, mas, pelas dificuldades do esporte, nunca me incentivou muito a entrar nesse meio. Com o tempo, quando tive condições de participar, fiz o curso de pilotagem do professor Cláudio Müller junto da minha irmã. Foi naquele momento que eu decidi que gostaria de competir. A partir dali, comecei a me envolver cada vez mais com o automobilismo.
Como você chegou ao Endurance? Você prefere provas de longa duração?
A escolha pelo Endurance foi imediata. Eu gosto muito do conceito de desenvolver o carro e também de ter estratégia durante a prova. Acredito que isso torna a disputa mais democrática. Não é necessariamente o piloto mais rápido que vence, mas sim quem consegue reunir o melhor conjunto entre carro, piloto, equipe e estratégia.
O que você acha do Campeonato Gaúcho de Endurance?
Para mim, o Gaúcho de Endurance é um campeonato sensacional. Ele permite que quem quer disputar traga seu carro e sua equipe, sem a necessidade de uma estrutura totalmente profissional. Isso democratiza o acesso e inclui muitas pessoas apaixonadas pela velocidade.
O campeonato também mantém uma essência muito “raiz”, com carros preparados regionalmente, usando recursos locais de peças e mão de obra. Existem projetos incríveis, construídos aqui no Rio Grande do Sul, que conseguem competir de igual para igual com carros importados que custam muito mais caro.
Como é para o piloto andar em pistas variadas aqui no Rio Grande do Sul?
O Campeonato Gaúcho de Endurance tem uma característica muito positiva, que é passar pelos principais autódromos do Estado. Isso melhora o nível da disputa, porque não adianta ser competitivo em apenas uma pista. Cada autódromo exige algo diferente. Alguns pilotos se destacam mais em determinados traçados, assim como alguns carros também se adaptam melhor a certas pistas. No fim, vence o campeonato quem consegue aproveitar melhor todas as etapas e ser constante ao longo da temporada.
Quais são os desafios e os prazeres de guiar um carro com esse potencial?
O MCR #71 é extremamente prazeroso de dirigir. É um carro puramente de corrida, com aerodinâmica, pneus slick e uma relação peso-potência absurda. São mais de 400 cv para cerca de 700 kg. Dedicamos muitos recursos e meses de trabalho para chegar ao estágio em que estamos hoje. Possivelmente, temos atualmente o carro aro 13 mais rápido do Brasil em uso. Como eu não sou piloto profissional, ainda levo um tempo para chegar próximo ao limite do carro. Quando começo a acelerar, é difícil controlar o nervosismo e até o medo. Ao mesmo tempo, a evolução é muito prazerosa. No fim do dia, quando conseguimos alcançar um tempo significativo, a sensação é incrível.
Por Redação Curva do S/Éllen Pereira e Marcos Moschetta | Fotos: William Inácio/Divulgação
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